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Costumes da Bíblia - A relação com a terra
01/05/2012

Muitos relatos bíblicos descrevem como os hebreus ansiavam por suas terras desde o início dos tempos, quando receberam de Deus a incumbência de povoá-las. Sua existência era muito ligada à de seu torrão, de onde tiravam o sustento e perpetuavam seu povo.

Conforme avançavam e conquistavam, os israelitas se estabeleciam, como mostrado no livro de Josué. Tinham a porção de terra que lhes era de direito como vinda de Deus. As terras foram distribuídas por sortes. E “sorte” era o nome dado a um disco de pedra que, atirado, deixava um dos lados para cima – a origem tanto da palavra que designa algo bom que acontece quanto do costume atual de se atirar moedas para tirar o “cara ou coroa”. Os hebreus acreditavam que as sortes estavam sob o controle de Deus – daí a expressão “estar à própria sorte” (não seguir a orientação divina). Portanto, era da vontade do Senhor que determinada tribo ou família ia para certa área.

 

“A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação.”

Provérbios 16:33

 

“O SENHOR é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte.

As linhas caem-me em lugares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança.”

Salmos 16:5-6

 

Seguindo- se essas regras, as terras recebiam um marco, geralmente formado por uma pilha de pedras, ou um sulco concêntrico de terra arada – e esses marcos não podiam ser removidos pela família proprietária ou por outra, para não alterar o que havia sido uma dádiva de Deus:

“Não mudes o limite do teu próximo, que estabeleceram os antigos na tua herança, que receberás na terra que te dá o SENHOR teu Deus para a possuíres.”

Deuteronômio 19:14

 

 

As terras praticamente não podiam ser comercializadas na época. Para eles, desfazer-se do bem que Deus lhes dera era enorme desonra a Ele – e uma forma de as terras serem povoadas e sua posse ser garantida, para que outros povos não avançassem. Isso fica bem claro no trecho bíblico em que Nabote negou vender suas vinhas a Acaz:

“Então Acabe falou a Nabote, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está vizinha ao lado da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor: ou, se for do teu agrado, dar-te-ei o seu valor em dinheiro.

Porém Nabote disse a Acabe: Guarde-me o SENHOR de que eu te dê a herança de meus pais.

Então Acabe veio desgostoso e indignado à sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jizreelita, lhe falara, quando disse: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão.”

1 Reis 21:2-4

 

Entretanto, não era justo que uma família passasse dificuldades financeiras se tinha uma terra para vender. Se ela fosse comprada em uma situação como essa, o novo dono tinha, no ano do Jubileu (a cada 50 anos desde a entrada na Terra Prometida por Deus a Moisés e seu povo no Monte Sinai), que devolvê-la aos antigos proprietários.

“E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família.”

Levítico 25:10

 

O valor da terra, para ser comercializada nessa hipótese, era baseado no número de anos restantes até o Jubileu seguinte (Levítico 25.13-17). Essa transação era feita oficialmente, devidamente auditada pelas autoridades da tribo. Se a família que vendera a terra superava as dificuldades nas finanças antes da chegada do Jubileu, o novo dono era obrigado a vendê-la de volta a eles, caso desejassem. Tudo isso também era para manter as terras sob posse da mesma tribo.

Herança

Como hoje, a terra era passada de pai para filho. No caso de mais de um filho (algo bem comum naqueles tempos de povoamento necessário), o primogênito tinha direito a uma porção dobrada em relação a seus irmãos. O pai poderia passar a terra para sua filha ou filhas, caso não tivesse filhos. Além disso, se não tivesse filhos de ambos os sexos, os irmãos do dono recebiam a herança, e por aí afora, na sucessão citada pela antiga lei de Deus em Números 27.

Até hoje o sentimento do descendente dos hebreus em relação à terra é muito forte.

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Costumes da Bíblia - A relação com a terra
01/05/2012




Muitos relatos bíblicos descrevem como os hebreus ansiavam por suas terras desde o início dos tempos, quando receberam de Deus a incumbência de povoá-las. Sua existência era muito ligada à de seu torrão, de onde tiravam o sustento e perpetuavam seu povo.

Conforme avançavam e conquistavam, os israelitas se estabeleciam, como mostrado no livro de Josué. Tinham a porção de terra que lhes era de direito como vinda de Deus. As terras foram distribuídas por sortes. E “sorte” era o nome dado a um disco de pedra que, atirado, deixava um dos lados para cima – a origem tanto da palavra que designa algo bom que acontece quanto do costume atual de se atirar moedas para tirar o “cara ou coroa”. Os hebreus acreditavam que as sortes estavam sob o controle de Deus – daí a expressão “estar à própria sorte” (não seguir a orientação divina). Portanto, era da vontade do Senhor que determinada tribo ou família ia para certa área.

 

“A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação.”

Provérbios 16:33

 

“O SENHOR é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte.

As linhas caem-me em lugares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança.”

Salmos 16:5-6

 

Seguindo- se essas regras, as terras recebiam um marco, geralmente formado por uma pilha de pedras, ou um sulco concêntrico de terra arada – e esses marcos não podiam ser removidos pela família proprietária ou por outra, para não alterar o que havia sido uma dádiva de Deus:

“Não mudes o limite do teu próximo, que estabeleceram os antigos na tua herança, que receberás na terra que te dá o SENHOR teu Deus para a possuíres.”

Deuteronômio 19:14

 

 

As terras praticamente não podiam ser comercializadas na época. Para eles, desfazer-se do bem que Deus lhes dera era enorme desonra a Ele – e uma forma de as terras serem povoadas e sua posse ser garantida, para que outros povos não avançassem. Isso fica bem claro no trecho bíblico em que Nabote negou vender suas vinhas a Acaz:

“Então Acabe falou a Nabote, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está vizinha ao lado da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor: ou, se for do teu agrado, dar-te-ei o seu valor em dinheiro.

Porém Nabote disse a Acabe: Guarde-me o SENHOR de que eu te dê a herança de meus pais.

Então Acabe veio desgostoso e indignado à sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jizreelita, lhe falara, quando disse: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão.”

1 Reis 21:2-4

 

Entretanto, não era justo que uma família passasse dificuldades financeiras se tinha uma terra para vender. Se ela fosse comprada em uma situação como essa, o novo dono tinha, no ano do Jubileu (a cada 50 anos desde a entrada na Terra Prometida por Deus a Moisés e seu povo no Monte Sinai), que devolvê-la aos antigos proprietários.

“E santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família.”

Levítico 25:10

 

O valor da terra, para ser comercializada nessa hipótese, era baseado no número de anos restantes até o Jubileu seguinte (Levítico 25.13-17). Essa transação era feita oficialmente, devidamente auditada pelas autoridades da tribo. Se a família que vendera a terra superava as dificuldades nas finanças antes da chegada do Jubileu, o novo dono era obrigado a vendê-la de volta a eles, caso desejassem. Tudo isso também era para manter as terras sob posse da mesma tribo.

Herança

Como hoje, a terra era passada de pai para filho. No caso de mais de um filho (algo bem comum naqueles tempos de povoamento necessário), o primogênito tinha direito a uma porção dobrada em relação a seus irmãos. O pai poderia passar a terra para sua filha ou filhas, caso não tivesse filhos. Além disso, se não tivesse filhos de ambos os sexos, os irmãos do dono recebiam a herança, e por aí afora, na sucessão citada pela antiga lei de Deus em Números 27.

Até hoje o sentimento do descendente dos hebreus em relação à terra é muito forte.

São Paulo – 99,3 FM

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