Rede Aleluia

Notícias

Quando se é feliz, um dia é como se fosse um ano
01/05/2012

Há muitos e muitos anos, havia um riquíssimo judeu que possuía uma filha muito talentosa, porém não tão bela. Como a jovem estava em idade de casar, o velho Jacob Trambik se martirizava com a ideia de ter que arcar com as despesas da festa, e ainda pagar o dote. Este costume milenar, de pagar um dote em dinheiro ao genro, servia para ajudar o jovem casal a começar a vida. O próprio Jacob, de origem muito pobre, começou a prosperar na vida quando, por ocasião de seu casamento, recebeu do sogro o necessário para se estabelecer como ourives. Daquela ajuda inicial, e, claro, com seu esforço diário, construiu uma pequena fortuna, que não desejava repartir com ninguém.

Os jovens judeus daquela época, em idade de casar, eram procurados pelos agenciadores de casamentos, especialmente aqueles que eram de família rica, ou os agraciados com a beleza física. Jacob tinha em mente para sua filha o jovem Mutret, um rapaz honesto e de boa linhagem, e que prestava bons serviços nos negócios do ourives. Mas como poderia fugir de pagar o dote, sendo rico e tendo apenas uma filha? Não encontraria desculpa diante da corte de rabinos.

Foi então que Jacob contratou um esperto agenciador e os dois prepararam a seguinte proposta, que foi levada ao jovem Mutret: pelo casamento com a jovem e talentosa Sara, Mutret receberia um dote insignificante, apenas suficiente para as despesas do casamento e as roupas nupciais, mas acrescido a isso receberia dez anos de kest.

Os dez anos de kest significavam que, por uma década, o jovem Mutret e sua esposa viveriam inteiramente às custas do sogro. Era realmente uma proposta e tanto. Não precisar suar o rosto ou franzir a testa; sem horário para dormir ou levantar; sem um chefe para dar ordens e sem obrigações a cumprir. Levado pela sedução da boa vida, Mutret assinou o contrato nupcial, conforme a Lei de Moisés, e toda a tradição judaica e, num dia ensolarado, casou-se com Sara.

Após as núpcias, foram direto à mansão do velho Jacob, para os dez anos de kest. O sogro se desfazia em gentilezas para agradar o genro. Mandava que os empregados o procurassem para saber, diligentemente, qual a comida que mais lhe agradava. O sogro lhe trazia os jornais por ocasião do café da manhã, puxava os mais diversos assuntos pelo almoço e o convidava gentilmente para agradáveis caminhadas após a ceia da tarde.

À noite, antes de dormir, o sogro perguntava:

- Mutret, meu filho, és feliz em nossa casa? Falta a ti alguma coisa, por menor que seja, para que tua felicidade seja completa?

Ao que o jovem, sorridente, respondia de pronto:- Não, meu sogro, sou feliz como nunca fui e não me falta absolutamente nada!

Passaram-se assim dez dias e, no décimo primeiro, ao se dirigir à mesa do café, Mutret foi surpreendido com a face amarga do sogro, que foi logo lhe dizendo:

- Já não tens direito de estar nesta casa a partir de hoje. Cumpri contigo tudo o que foi combinado na presença das testemunhas. Eu te prometi dez anos de kest e, como diz a nossa tradição sagrada, quando um homem é feliz, um dia vale por um ano. Afinal, cada dia que estiveste em minha casa, tu me respondeste que eras feliz e nada te faltava. Dez dias, portanto, valeram-te por dez anos. Arruma tuas coisas, tens os trocados que te dei, és jovem, tens força para o trabalho. Quando voltar para almoçar, já não te quero ver aqui. Se queres, ofereço-te o emprego que tinhas, mas não esperes receber mais do que te pagavas antes.

O rapaz se sentiu enganado e não sabia o que dizer. Como sair daquela situação embaraçosa? Aquela manhã foi a pior de sua vida. Ele, que já havia se habituado com a ideia dos dez anos sem trabalhar, estava arrasado com a iminente volta ao velho emprego; o levantar cedo; o aluguel; as contas a pagar; enfim, uma realidade que ele havia apagado de sua mente.

Na hora do almoço, quando o sogro chegou em casa e viu o rapaz ainda com as malas por fazer, ficou indignado:

- Ainda permaneces em minha casa? Não te lembras de nossa conversa pela manhã? Já era para estares longe!- disse o homem, enfurecido.

Calmamente, o rapaz respondeu:

- Meu sogro, ouvi com atenção tudo o que me disseste pela manhã, e não posso negar que a razão dirige tua decisão. Fui feliz nesses dias, como nunca havia sido em toda a minha vida. Conforme nossa tradição, quando um homem é inteiramente feliz, um dia é como um ano. Quanto a isso, dou-me por pago e satisfeito; nada tenho a reclamar. Porém, tenho também meus direitos e anuncio que hoje mesmo darei carta de divórcio à tua filha.

O velho não esperava jamais aquela decisão do rapaz. Na cultura judaica, o divórcio lança sobre a mulher uma mancha de caráter irreparável. É como uma maldição. Para uma jovem recém-casada, nada, exceto a morte, poderia ser pior.

- Não podes fazer isso. Que direito tens de divorciar-te de minha filha? Foste casado de acordo com todas as leis dos homens e de Deus. Tenho o santo Talmude, e tu o conheces, e sabes que não podes jamais dar a carta de divórcio a uma esposa sem justa razão! - disse o sogro, perplexo e um tanto temeroso.

- Posso sim - retrucou Mutret. - A Lei de Moisés, o santo Talmude, que tu acabaste de citar, garante meu direito. Moisés disse claramente que, quando um homem se casa com uma mulher, e esta não lhe dá filhos após dez anos, o tal marido tem direito de repudiá-la e dar-lhe a carta de divórcio. Como disseste, estou casado com tua filha por dez anos, e como ela nunca me deu filhos, hoje mesmo redigirei a carta de divórcio e a apresentarei ao conselho de rabinos.

Jacob Trambik emudeceu. Havia sido vítima de sua própria artimanha. Sem chance, concedeu o kest a Mutret, que viveu tranquilo por dez longos anos.

Caro leitor, esta história mostra o lado cômico da relação entre sogros e genros. Mas mostra também como a Bíblia pode ser usada de maneira extremamente irresponsável, através de uma interpretação casual e conveniente.

Há muitas doutrinas novas, espalhadas por aí, que são como as de Mutret e Trambik. Enganam os incautos para lhes extorquir tempo, dinheiro e, o pior de tudo, a salvação.

Notícias


Quando se é feliz, um dia é como se fosse um ano
01/05/2012




Há muitos e muitos anos, havia um riquíssimo judeu que possuía uma filha muito talentosa, porém não tão bela. Como a jovem estava em idade de casar, o velho Jacob Trambik se martirizava com a ideia de ter que arcar com as despesas da festa, e ainda pagar o dote. Este costume milenar, de pagar um dote em dinheiro ao genro, servia para ajudar o jovem casal a começar a vida. O próprio Jacob, de origem muito pobre, começou a prosperar na vida quando, por ocasião de seu casamento, recebeu do sogro o necessário para se estabelecer como ourives. Daquela ajuda inicial, e, claro, com seu esforço diário, construiu uma pequena fortuna, que não desejava repartir com ninguém.

Os jovens judeus daquela época, em idade de casar, eram procurados pelos agenciadores de casamentos, especialmente aqueles que eram de família rica, ou os agraciados com a beleza física. Jacob tinha em mente para sua filha o jovem Mutret, um rapaz honesto e de boa linhagem, e que prestava bons serviços nos negócios do ourives. Mas como poderia fugir de pagar o dote, sendo rico e tendo apenas uma filha? Não encontraria desculpa diante da corte de rabinos.

Foi então que Jacob contratou um esperto agenciador e os dois prepararam a seguinte proposta, que foi levada ao jovem Mutret: pelo casamento com a jovem e talentosa Sara, Mutret receberia um dote insignificante, apenas suficiente para as despesas do casamento e as roupas nupciais, mas acrescido a isso receberia dez anos de kest.

Os dez anos de kest significavam que, por uma década, o jovem Mutret e sua esposa viveriam inteiramente às custas do sogro. Era realmente uma proposta e tanto. Não precisar suar o rosto ou franzir a testa; sem horário para dormir ou levantar; sem um chefe para dar ordens e sem obrigações a cumprir. Levado pela sedução da boa vida, Mutret assinou o contrato nupcial, conforme a Lei de Moisés, e toda a tradição judaica e, num dia ensolarado, casou-se com Sara.

Após as núpcias, foram direto à mansão do velho Jacob, para os dez anos de kest. O sogro se desfazia em gentilezas para agradar o genro. Mandava que os empregados o procurassem para saber, diligentemente, qual a comida que mais lhe agradava. O sogro lhe trazia os jornais por ocasião do café da manhã, puxava os mais diversos assuntos pelo almoço e o convidava gentilmente para agradáveis caminhadas após a ceia da tarde.

À noite, antes de dormir, o sogro perguntava:

- Mutret, meu filho, és feliz em nossa casa? Falta a ti alguma coisa, por menor que seja, para que tua felicidade seja completa?

Ao que o jovem, sorridente, respondia de pronto:- Não, meu sogro, sou feliz como nunca fui e não me falta absolutamente nada!

Passaram-se assim dez dias e, no décimo primeiro, ao se dirigir à mesa do café, Mutret foi surpreendido com a face amarga do sogro, que foi logo lhe dizendo:

- Já não tens direito de estar nesta casa a partir de hoje. Cumpri contigo tudo o que foi combinado na presença das testemunhas. Eu te prometi dez anos de kest e, como diz a nossa tradição sagrada, quando um homem é feliz, um dia vale por um ano. Afinal, cada dia que estiveste em minha casa, tu me respondeste que eras feliz e nada te faltava. Dez dias, portanto, valeram-te por dez anos. Arruma tuas coisas, tens os trocados que te dei, és jovem, tens força para o trabalho. Quando voltar para almoçar, já não te quero ver aqui. Se queres, ofereço-te o emprego que tinhas, mas não esperes receber mais do que te pagavas antes.

O rapaz se sentiu enganado e não sabia o que dizer. Como sair daquela situação embaraçosa? Aquela manhã foi a pior de sua vida. Ele, que já havia se habituado com a ideia dos dez anos sem trabalhar, estava arrasado com a iminente volta ao velho emprego; o levantar cedo; o aluguel; as contas a pagar; enfim, uma realidade que ele havia apagado de sua mente.

Na hora do almoço, quando o sogro chegou em casa e viu o rapaz ainda com as malas por fazer, ficou indignado:

- Ainda permaneces em minha casa? Não te lembras de nossa conversa pela manhã? Já era para estares longe!- disse o homem, enfurecido.

Calmamente, o rapaz respondeu:

- Meu sogro, ouvi com atenção tudo o que me disseste pela manhã, e não posso negar que a razão dirige tua decisão. Fui feliz nesses dias, como nunca havia sido em toda a minha vida. Conforme nossa tradição, quando um homem é inteiramente feliz, um dia é como um ano. Quanto a isso, dou-me por pago e satisfeito; nada tenho a reclamar. Porém, tenho também meus direitos e anuncio que hoje mesmo darei carta de divórcio à tua filha.

O velho não esperava jamais aquela decisão do rapaz. Na cultura judaica, o divórcio lança sobre a mulher uma mancha de caráter irreparável. É como uma maldição. Para uma jovem recém-casada, nada, exceto a morte, poderia ser pior.

- Não podes fazer isso. Que direito tens de divorciar-te de minha filha? Foste casado de acordo com todas as leis dos homens e de Deus. Tenho o santo Talmude, e tu o conheces, e sabes que não podes jamais dar a carta de divórcio a uma esposa sem justa razão! - disse o sogro, perplexo e um tanto temeroso.

- Posso sim - retrucou Mutret. - A Lei de Moisés, o santo Talmude, que tu acabaste de citar, garante meu direito. Moisés disse claramente que, quando um homem se casa com uma mulher, e esta não lhe dá filhos após dez anos, o tal marido tem direito de repudiá-la e dar-lhe a carta de divórcio. Como disseste, estou casado com tua filha por dez anos, e como ela nunca me deu filhos, hoje mesmo redigirei a carta de divórcio e a apresentarei ao conselho de rabinos.

Jacob Trambik emudeceu. Havia sido vítima de sua própria artimanha. Sem chance, concedeu o kest a Mutret, que viveu tranquilo por dez longos anos.

Caro leitor, esta história mostra o lado cômico da relação entre sogros e genros. Mas mostra também como a Bíblia pode ser usada de maneira extremamente irresponsável, através de uma interpretação casual e conveniente.

Há muitas doutrinas novas, espalhadas por aí, que são como as de Mutret e Trambik. Enganam os incautos para lhes extorquir tempo, dinheiro e, o pior de tudo, a salvação.

São Paulo – 99,3 FM

Programação exclusiva 24h! Play
Ouça a programação em seu celular
  • Iphone
  • Android

@redealeluiabr | Siga-nos

Emissoras da Rede Aleluia Região Norte Região Centro Oeste Região Sul Região Sudeste Região Nordeste